{"time":1773431575227,"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"Desde a chegada da Côrte ao Brasil, ostras, lampreias, atuns, lagostas, salmão, sável e mexilhões de Aveiro eram importados em escabeche. O ‘sikbaj’, método de preservação em vinagre e especiarias herdado dos mouros, foi amplamente utilizado nos países ibéricos, também para peixes, e calhou de facilitar a longa viagem dos produtos da terrinha até o Brasil."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Conservar alimentos sempre foi um desafio no Rio de Janeiro, antes da chegada dos primeiros blocos de gelo, em 1834. Peixes eram abundantes no mercado, mas chegavam à Praça XV (antiga Praia do Peixe) em dias específicos, e havia que se conservar o excedente."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"As classes mais baixas já estavam bem habituadas ao moquém indígena, e desidratavam tatus, pacas, capivaras, jacus, pescados ou palmitos em varas de madeira sobre o fogo lento, mas os mais abastados, desconfiados dos produtos da terra, preferiam o escabeche, que se espalhava pelos menus da cidade."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Luís Edmundo, em seu “Rio de Janeiro no tempo dos Vice-Reis”, falava do absurdo que era importarmos pescada em conserva, quando a qualidade e variedade dos peixes nacionais era infinitamente superior. E, ainda, tome bacalhau seco (!), num Rio que dava as costas para o mar."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Na praia D. Manoel, ao lado da atual Praça XV, lagostas em escabeche, chegadas de navio em barris, eram vendidas ao lado dos frutos do mar frescos."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Em 1839, no livro O Cozinheiro Imperial, o escabeche passa de mera conserva à receita de valor, capaz de emprestar sabor, a depender da qualidade da marinada."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A partir dos anos 1840, estavam para todo lado, já com os peixes locais, numa conserva nem tão necessária, mas presente por gosto adquirido. Na Rua da Alfândega, em 1841, se vendia cação em escabeche. Na Confeitaria Braço de Ouro, na Rua dos Ourives, havia beijupirá, tainha, garoupa, robalo ou anchovas em escabeche “afiançando a boa conservação por alguns anos”. E assim continuaram, ao longo das décadas."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Hoje, no Rio, a preparação resiste frequentemente associada à sardinha, peixe sazonal que deve respeitar os períodos do defeso, como no Restaurante Shirley, que as serve desde 1940, no Leme."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Presente dos botequins aos hotéis de luxo ou restaurantes estrelados, escabeche é uma firme identidade carioca."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Na imagem, mexilhões em conserva do Ocyá."}}],"version":"2.18.0"}
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