Instituto Bazzar na mídia europeia

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Educação

Publicado em

31 de Janeiro de 2025 às 16:47

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{"time":1773326540567,"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"Instituto Bazzar, em busca do sabor perdido do Rio de Janeiro"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Cristiana Beltrão criou o Instituto Bazzar com o propósito de descobrir, revelar, definir e divulgar a identidade gastronômica perdida do Rio de Janeiro."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Xavier Agulló"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"31/01/2025"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Há seis meses Cristiana Beltrão, uma mulher de incrível garra, abriu o Instituto Bazzar. Sua missão é descobrir, revelar, definir e divulgar a identidade gastronômica perdida do Rio de Janeiro através de seus produtos originais e de seus produtores. Tipos singulares de mel, queijos premiados, embutidos “cult“, peixes desconhecidos, café, cacau fino..."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Produtores artesanais, chefs, historiadores, acadêmicos, jornalistas e instituições formam o elenco e a dinâmica de constante intercâmbio do Instituto Bazzar (Jardim Botânico, Rio de Janeiro), um ambicioso projeto metagastronômico que visa revigorar a identidade culinária carioca com base na recuperação e desenvolvimento da cadeia produtiva do território, desde agricultores e pescadores até processadores e cozinheiros. O objetivo final, especificar e mapear a culinária nativa, sob parâmetros de comércio justo e sustentável, para tornar o Rio de Janeiro uma capital de turismo gastronômico singular."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Para Cristiana, profissional incansável (jornalista atuante, acadêmica, intelectual, empresária...), este é o projeto lógico depois de uma longa carreira na gastronomia. Em 1998 criou o grupo Bazzar, que contava com três restaurantes no Rio. Mais tarde, em 2006, construiu uma fábrica de preparações e molhos próprios para abastecer seus estabelecimentos. Já naquela época, ela lembra, “todos os produtos tinham o rótulo 'Made in Rio de Janeiro' e conseguimos distribuí-los em 11 países ao redor do mundo. Foi nessa época que comecei a explorar e investigar os nossos produtores e a perceber a grande riqueza e diferenciação que o estado possuía.”"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"(Pedro Mello, colaborador de Cristiana Beltrão no Instituto Bazzar, ajudou-a a traçar a história gastronômica e culinária do Rio de Janeiro até o século XVIII.)"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Em 2022, Cristiana vendeu tudo. Tudo, menos a paixão. E então começou a pensar em como trazer à tona tudo o que descobriu e aprendeu para transformar uma cidade ‘maravilhosa’ de sol, praia e festa em algo mais. Num hot spot gastronómico com saborosa personalidade própria (poderosa, embora desconhecida). O que está gestando no Instituto Bazzar."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"O litoral, o oceano "}},{"type":"paragraph","data":{"text":"“No litoral do Rio de Janeiro temos 204 espécies de peixes, muitas delas desconhecidas comercialmente, e na maioria dos nossos restaurantes continuam servindo salmão. Comecei a ficar irritada e senti que tinha que fazer alguma coisa: interligar o setor.” Com o Instituto Bazzar como catalisador. “Produtores artesanais, pescadores conscientes, educação pública, chefs de cozinha, prefeitura... todos juntos em busca da identidade gastronômica do Rio”."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Com a ajuda de Pedro Mello, renomado jornalista, escritor e pesquisador do Bazzar, começou a se aprofundar na história gastronômica e culinária do estado. “No século XVIII consumiam robalo, tainha e garoupa. E as ostras da nossa Lagoa! Nos restaurantes aquelas ostras eram famosas... Hoje na Lagoa não há ostras, é verdade, mas há no litoral. Pequenas, mas saborosas. E estou empenhada nisso: conectar produtores de ostras com os donos de restaurantes para recuperar seu consumo. Também buscamos investidores e assessoria de cultivo de produtores sustentáveis ​​do Sul do Brasil. E não paramos de organizar seminários transversais no Instituto, trabalhando em profundidade nas redes sociais…”"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"(Caldo de quiabo, um dos pratos que a chef Lydia González prepara na cozinha do Instituto Bazzar.)"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Além das ostras, Cristiana valoriza outras espécies marinhas, como a tainha – “muito comum nos barcos do século XIX” – com a qual, além do mais, se faz uma excelente botarga; a perumbeba; a carapeba; e até o camarão, pequeno e muito doce. “Já estou divulgando em diversos restaurantes, como o Labuta ou o da Roberta Sudbrack.”"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Há muito mais. “Estamos educando os cozinheiros sobre as melhores épocas de cada peixe, sobre como cozinhar cada um deles… E estamos construindo um centro de aproveitamento de pescado junto com os pescadores (60 famílias da Lagoa de Araruama), valorizando todas as suas partes, que oferecemos frescas e sem conservantes para restaurantes metropolitanos.”"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"O incrível mel das abelhas sem ferrão"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Mais que um mel, um produto de luxo. Muito fluido, com acidez delicada e pouquíssimo dulçor... Um mel exclusivo de abelhas nativas (meliponíneas) que não têm ferrão (não picam; mas se defendem de forma insidiosa, mordendo ou entrando nos olhos, nariz e ouvidos, expelindo ácido fórmico ardido). Os sabores desses tipos de mel (existem vários) são verdadeiras montanhas-russas sensoriais que já são utilizadas por grandes chefs cariocas, como Rafa Costa e Silva (Lasai) ou Gerônimo Athuel (Ocyá)."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"(O peculiar favo de mel da abelha meliponínea, espécie sem ferrão cujo mel é um luxo gastronômico por sua escassez e nuances aromáticas e saborosas.)"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Os favos de mel dessas abelhas não convencionais são diferentes dos que conhecemos. Elas fazem pequenas ânforas de cera e resina cujo mel precisa ser extraído com agulhas hipodérmicas. Um fato definidor da exclusividade: enquanto uma abelha normal produz 300 litros de mel por ano, as meliponíneas produzem…  apenas um litro e meio. “É o nosso caviar”, ri Cristiana, “e tem até contrabando, com preços que chegam a 500 dólares por abelha”. O preço de 100 gramas deste mel é de 25 a 30 euros."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Uma das chefs colaboradoras de Bazzar, Lydia González (do famoso restaurante Angá Ateliê Culinário, em Petrópolis, e ex-cozinheira de Ricardo Sanz no Kabuki Madrid), especialista em tipos “cult“ de mel, conta que o que se degusta são diferentes tipos de mel de diferentes abelhas, “porque além do que as abelhas sugam, a flora - o bioma do Rio de Janeiro - o que diferencia o produto é o tipo de abelha.”"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Uma das principais diferenças entre este mel exclusivo e o normal é que o primeiro fermenta devido à sua aquosidade, recriando diferentes sabores em suas diferentes etapas de fermentação."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"(Pitangola com leite de coco e amendoim. A recuperação de peixes nativos e seu consumo em restaurantes é uma das linhas de trabalho de Cristiana Beltrão no Instituto Bazzar.)"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Lydia lidera a degustação. Provamos o mel das abelhas jataí, mandaçaia, uruçu amarela e borá em diferentes pontos de fermentação, todos dos produtores Denilson Barros e Ricardo Siri, na área urbana do Rio. Os sabores vão muito além dos meus registros melíferos: sabores de uva, tutti frutti, caramelo defumado, uma loucura. O último tem gosto de uma combinação de parmesão e pecorino!"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Os queijos de Valença"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Depois de uma breve pausa para brindar com aluá, uma bebida fermentada tradicional (refrescante, tem apenas 0,5 graus) feita com pão, arroz, painço ou frutas (abacaxi), dependendo da região, degustamos os queijos. Os de Valença, epicentro láctico do Rio de Janeiro."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"O queijo é outro dos cavalos de batalha de Cristiana. “As leis são pensadas apenas para grandes indústrias, o que torna impossível tirar um queijo artesanal de um povoado sem um investimento milionário em maquinário. Um absurdo. No Bazzar estamos tentando mudar a legislação para que as peças artesanais possam chegar à cidade.”"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"(Os queijos de Valença também estão sendo promovidos graças à rede do Instituto Bazzar.)"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Começamos com o queijo cottage feito com leite cru de vaca girolando da queijaria Du Vale. Cremoso e sutilmente complexo. O queijo preto de cabra, curado por 45 dias e com cobertura de cacau, é da queijaria Capril do Lago e tem textura e sabor únicos. O queijo Sapucaia (também da queijaria anterior) é uma raridade: tem maturação dentro do ‘coco’ da árvore sapucaia, gerando espontaneamente um bolor branco específico do fruto. Dois meses de cura. Untuoso, envolvente."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Embutidos nativos"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"É em Nova Friburgo que Breno Furtado comanda a Embutidos da Porco Alado, uma coleção artesanal feita apenas com três raças de porcos nativos: mora, nilo e piau."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"(Embutidos de Porco Alado, no Instituto Bazzar.)"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Maturação em cava. Lonza de moura, maturada por cerca de 100 dias, feita a partir da cabeça do porco. Fina e carnuda. Copa preta, também de moura, fermentada por 72 horas, após aproximadamente 100 dias de maturação. Ponto cítrico e amanteigado. N’duja, de canastra, no estilo calabrês. Pancetta de moura e canastra, maturada por quase oito meses."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Os pratos de Lydia González"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A chef de Petrópolis aproveita a cozinha do Instituto Bazzar, um casarão restaurado em estilo contemporâneo, para animar a tarde de degustações com alguns pratos que exemplificam os produtos do Rio de Janeiro. Chef de cozinha refinada, com nuances delicadas e cromatismos polidos, ela propõe algumas harmonias como a mostarda de jabuticaba (para acompanhar os embutidos), um doce de mamão e mel para os queijos e três pratos: pitangola (peixe nativo) com leite de coco com amendoim do Rio de Janeiro e crocante de araruta (planta recuperada pelo Bazzar e cultivada há milênios pelos índios Caiapó do Rio); caldo de quiabo (okra), quiabo na brasa, queijo sapucaia, mel de abelha mandaçaia e flor de alho selvagem; e, de sobremesa, bolinho de chuva com doce de leite da queijaria Du Vale e jaca de Petrópolis. Para alegrar tudo, vinhos naturais de jabuticaba e laranja. E a cachaça glamourosa produzida em “soleras“ por ‘Magnifica Solera’."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Tudo do Rio de Janeiro"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"E ainda falta falar dos trabalhos do Bazzar para o futuro imediato: a botarga de tainha de Búzios (atualmente resolvendo problemas legais), as laranjas de Tanguá, a farinha de milho branco..."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"(Bolinho de chuva com doce de leite da queijaria Du Vale e jaca de Petrópolis.)"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"E, claro, o cacau “fino” de Bom Jesus de Itabapoana, variedade pará-parazinho, já em operação com 30.000 árvores, muito aromático; e o café arábica e arara do Alto Noreste Fluminense, que o Bazzar lançará como “Café do Rio de Janeiro”"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"E acho que Cristiana Beltrão está apenas começando… "}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Xavier Agulló"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Jornalista, crítico gastronômico e consultor de eventos culinários internacionais. Colabora com diversas publicações nacionais e internacionais. Vencedor do Prêmio Nacional de Gastronomia em 2006 (Melhor Trabalho Jornalístico), 2009 (como membro da equipe Metrópoli-El Mundo) e 2017 (como fundador e membro do site 7caníbales.com) da Real Academia de Gastronomia da Espanha. Classificado em 8º lugar no ranking dos 100 maiores influenciadores de eFood."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Clique aqui para ler a reportagem no original. "}}],"version":"2.18.0"}

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